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Lavouras de café danificadas pelo granizo? Confira orientações para a recuperação

Além da recomposição das áreas, cafeicultores devem investir em prevenção e planejamento para evitar novos danos, alerta superintendente da Seapa

Redação
Por: Redação Fonte: Secom Minas Gerais
19/06/2026 às 18h31
Lavouras de café danificadas pelo granizo? Confira orientações para a recuperação
Emater / Divulgação

As chuvas acompanhadas de granizo registradas nas últimas semanas em algumas regiões de Minas acenderam o alerta entre os produtores de café. Em várias propriedades, as pedras de gelo provocaram desfolhamento, quebra de ramos, danos aos frutos e comprometimento de áreas inteiras de produção, justamente em um momento importante para a recuperação das plantas após a colheita.

Embora o granizo seja um fenômeno de difícil previsão em escala local, algumas regiões mineiras apresentam maior frequência de ocorrência. Segundo o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Lizando Gemiacki, os registros costumam se concentrar principalmente no Sul de Minas e na Zona da Mata, áreas que possuem relevo mais acidentado e favorecem a formação de tempestades severas.

“Estamos vivendo uma condição atípica para esta época do ano, que normalmente já seria marcada pelo período seco. Pelo menos até os próximos dias ainda existe possibilidade de chuvas com rajadas de vento e eventual queda de granizo em alguns municípios, especialmente do Sul de Minas e da Zona da Mata”, explica.

Ações iniciais

Diante dos prejuízos provocados por esse tipo de chuva, a principal recomendação aos cafeicultores é agir com cautela antes de iniciar qualquer intervenção na lavoura. Orientações técnicas divulgadas pelo Conselho Nacional do Café (CNC) destacam que o primeiro passo é uma avaliação criteriosa dos danos para definir as medidas mais adequadas de recuperação.

Nos casos de danos leves, quando há apenas perda parcial de folhas e pequenos ferimentos nos ramos, a recomendação é manter os tratos culturais normais, reforçando a nutrição e o monitoramento fitossanitário da lavoura. Já em áreas mais atingidas, onde ocorreu quebra significativa de ramos produtivos ou comprometimento da estrutura das plantas, pode ser necessária a realização de podas seletivas para estimular a recuperação da planta.

Outro ponto de atenção é o aumento do risco de doenças. Os ferimentos provocados pelo granizo podem facilitar a entrada de fungos e bactérias, exigindo acompanhamento técnico constante e, quando necessário, adoção de medidas de controle para evitar perdas adicionais.

El Niño vai causar impactos? 

Os eventos recentes reforçam a necessidade de planejamento diante de um cenário climático cada vez mais instável. Com a chegada do fenômeno El Niño em maior intensidade no segundo semestre de 2026, pode ocorrer alteração  no regime de chuvas em diversas regiões produtoras do país.

Em Minas Gerais, no caso do café, períodos prolongados de calor e déficit hídrico podem comprometer etapas fundamentais do ciclo produtivo, como a floração e o enchimento dos grãos, afetando tanto a produtividade quanto a qualidade da bebida.

Para reduzir os riscos, a orientação da Secretaria de Estado de Agricultura (Seapa)  é que os produtores aproveitem o momento para revisar o planejamento da próxima safra. Entre as medidas recomendadas estão a adoção de práticas de conservação da umidade do solo, como cobertura vegetal e plantio direto, uso de cultivares mais tolerantes ao déficit hídrico e planejamento da irrigação, quando houver disponibilidade de água e infraestrutura.

Segundo o superintendente de Inovação e Economia Agropecuária da Seapa, Feliciano Nogueira, o trabalho de orientação técnica torna-se ainda mais importante diante da maior frequência de eventos climáticos extremos. “Diante da expectativa relativa ao El Niño , nosso trabalho junto aos agricultores e pecuaristas mineiros é orientá-los e assisti-los tecnicamente sobre estratégias que possam reduzir os efeitos do fenômeno climático em suas atividades”.

Feliciano destaca ainda que iniciativas voltadas à produção sustentável e ao uso eficiente da água já disponíveis no estado podem contribuir para aumentar a resiliência das propriedades rurais. Entre elas estão programas de irrigação sustentável, revitalização de bacias hidrográficas, certificação de boas práticas e ferramentas de planejamento territorial que auxiliam os produtores na tomada de decisões diante das adversidades climáticas. “Em um cenário de crescente variabilidade climática, a prevenção e o planejamento passam a ser tão importantes quanto as ações adotadas após a ocorrência dos danos”, finaliza.

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