Sexta, 09 Março 2018 11:55

Candidatura de Rodrigo Maia ainda não é nada, mas é tudo, diz Mario Rosa

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Como o ano político esta apenas começando, comentaristas não tem o que fazer a não ser especular sobre o nada. Mas o nada é tudo, sobretudo nas rodas mais sofisticadas. Quem for capaz de enunciar pensamentos sobre o nada com maior profundidade e detalhismo torna-se imediatamente um gigante nos convescotes.

Então articulistas cumprem o papel importante de fornecer o nada para abastecer os debates. Somos fornecedores do nada, especiaria essencial para qualquer receita do gourmet. Falemos então sobre a candidatura de Rodrigo Maia, agora não mais uma especulação do éter, mas um fato político anunciado com pompa e circunstância na convenção de seu partido nesta 5ª (8.mar.2018).

Primeira constatação: a candidatura de Maia é a prova do vazio que caracteriza a campanha presidencial deste ano. Não que ele seja vazio. Pelo contrário. Mas, a rigor, há espaço para todos e tanta falta de nitidez sobre o desfecho que uma candidatura de Maia deixa de ser uma ação aventureira para ser algo que pode fincar raízes e frutificar. E por quê? Porque há espaço para algo. Esse algo ninguém sabe ao certo o que é. E por que não pode ser Maia? Ele não perde nada em jogar o anzol no rio do destino e ver o que sai dessa pescaria. O eleitorado ganha mais uma opção para observar. Bom pra todo mundo.

Politicamente, hoje, ela não é nada. Mas isso não é pouco. Pelo contrário. Usando metáforas, Lula significaria um terremoto. Bolsonaro um raio. Huck foi um cometa que passou. Maia significaria o quê? Uma construção. Candidaturas como a de Maia parecem improváveis, hoje, porque exigiriam que a política fizesse o seu exercício mais complexo. Fernando Henrique foi uma construção política. A vitória de Tancredo Neves no colégio eleitoral idem.

Mas em 2018, com a política esfrangalhada, seria ela capaz de construir em si mesma uma candidatura competitiva aos olhos de uma opinião pública enojada com seus representantes? Se isso fosse possível e ao final do ano uma construção política vencesse as eleições, estaríamos diante de um feito notável perante a História. Tão notável que parece quase impossível, quando olhamos com o olhar cético do início deste longo 2018.

Maia, claro, não é a única possibilidade de uma construção. Geraldo Alckmin também pode construir esse papel. O problema é que o PSDB parece uma tatuagem marcada aos olhos do eleitorado, não muito diferente do PT. De tanto se engalfinharem, ficaram relativamente iguais. Sobretudo no negativo. O partido de Maia não carrega essa chaga que Alckmin tem como sobrepeso.

O importante é que se alguma construção não for feita estaremos sujeitos a terremotos, cometas e raios. Isso não será ruim. Será história o que acontecer.

Mas a hipótese de uma candidatura como a de Maia é muito mais importante do que ele pessoalmente. Representa uma tentativa da política de se organizar e se apresentar ao eleitorado com um ponto de vista, uma plataforma. E isso é muito mais do que nada. É muito. Representaria a capacidade de nossas elites políticas de convergirem para um projeto e virar a página da crise política através da política. Seja ou não Maia a face que encarne esse movimento, seja qualquer um, construir uma solução política seria um dos capítulos mais memoráveis de nosso tempo. Daí o porquê de a candidatura Maia ser muito mais do que nada.

Além de síndico, o impagável Tim Maia (nada a ver com Rodrigo) poderia ser o grande cientista político destes dias:

– Tudo é tudo e nada é nada.

Com uma pequena variação:

– Tudo é nada e nada é tudo.

Poder 360

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Wellington Marques

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