Nacional & Política

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O clima anda azedo nos bastidores do MDB após o anúncio da pré-candidatura do ex-ministro da Fazenda, Henrique Meireles, ao Palácio do Planalto na última terça-feira, 22. Há um descontentamento entre lideranças regionais que querem ficar livres para apoiar um candidato à Presidência da República sem que os planos políticos nos estados sejam atropelados pelas alianças nacionais. Uma das vozes que se opõem a estratégia do MDB com Meireles é o presidente do Congresso, senador Eunício Oliveira.

O senador Eunício Oliveira subiu o tom e ainda na terça-feira, reagiu ao recado do presidente Michel Temer que convidou a se retirar do partido quem se recusar a apoiar a pré-candidatura de Henrique Meirelles. Em entrevista ao Jornal O Estado de São Paulo nesta quarta-feira, 23, Eunício, que há 45 anos é filiado ao MDB, avisa que não vai seguir a recomendação. “Não vou sair e ninguém me tira.” Eunício também criticou a política de preço dos combustíveis implantada pelo presidente da Petrobrás, Pedro Parente. “Entre os ‘Parentes’ e os consumidores eu vou ficar com os consumidores”, afirma.

Confira abaixo a entrevista completa concedida por Eunício:

O senhor vai apoiar Meirelles ou seguir a recomendação do presidente Michel Temer?

Eu vou ficar no MDB e vou tomar a minha própria decisão em relação a coligações estaduais e à Presidência da República. Não vou sair e ninguém me tira. Tenho 45 anos de partido e uma única filiação. Nasci no MDB, numa família de emedebistas.

Por que não apoiar Meirelles?

Eu lamento que a direção nacional não tenha construído uma candidatura viável do partido. Aqui no Senado eu já vi gente se filiando de manhã para ocupar lugares na Mesa Diretora à noite. Sinceramente, eu não tenho nenhuma relação pessoal com o ex-ministro Meirelles. O conheci como presidente do BC (Banco Central). Ele nunca exerceu nenhum mandato pelo MDB. Não sei nem por quais partidos ele passou. Sei que do MDB ele não é.

O senhor está confrontando o presidente da República?

O presidente da República é um filiado como outro qualquer. Dentro do MDB ninguém é maior do que ninguém. Esse é o MDB que eu nasci nele e vou morrer nele. Não vou aceitar que ninguém me faça cobrança e me ameace. Já tive muita divergência dentro do partido, mas nunca saí e não vou mudar. Não vou cumprir missão de quem quer que seja. Vou morrer com a bandeira do Brasil em cima do caixão, a do Ceará e a do MDB.

O partido sabe da sua posição?

Ninguém nunca botou cabresto ou uma corda na cabeça ou no pescoço e laçou para levar para onde quis. Comuniquei ao presidente da República em novembro. Já este ano, numa conversa com o presidente, ele disse que eu sempre estive liberado dentro do partido.

Quem os senhor vai apoiar?
Estou conversando com minha coligação (que inclui o PT, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o PDT, do presidenciável Ciro Gomes).

Meirelles é um candidato ruim?

Nunca comi uma colher de sal com ele. Estou há quase dois anos na presidência do Congresso e nunca tive relacionamento com ele quando era ministro da Fazenda. Acredito que seja um brasileiro capaz. Agora, uma coisa é um brasileiro capaz e outra é um militante partidário.

O senhor acha que Pedro Parente está errando na Petrobrás? É preciso rever a política de preço da empresa?

É outro brasileiro por quem eu tenho respeito à distância.

O senhor defende a saída de Parente da Petrobrás?

Entre os ‘Parentes’ e os consumidores, eu vou ficar com os consumidores. É abusivo o que aconteceu no Brasil. Olha que eu sou ponderado. São 11 aumentos em 16 dias. E que ninguém venha me dizer que foi em função do dólar. Essa explicação não me convence. Tenho mandato há 20 anos, não tenho hábito de fazer bravata, buscar protagonista.

O senhor concordou em não votar a MP 814, que destravava leilão das distribuidoras da Eletrobras no Norte e Nordeste?

Já temos o aumento do combustível e agora vamos aprovar outra MP preparativa para o aumento de energia? Pelo amor de Deus! Energia, gasolina, gás de cozinha. As pessoas estão com medo de voltar ao fogão a lenha e ainda serem penalizadas pelo Ibama. Por isso montamos uma comissão geral. O ministro da Fazenda, o presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), os representante das distribuidoras vão ter que se explicar.

O governo quer retomar a discussão da reforma da Previdência. O senhor é contra retomar o debate agora…

A Previdência tem que ser discutida pelos candidatos à Presidência da República para que as pessoas escolham a proposta que querem apoiar. Não é esse governo que tem que fazer a pauta da Previdência.

Com informações do Jornal O Estado de São Paulo

Durante a XXI Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios — evento conhecido como Marcha dos Prefeitos —, que serve para pressionar o governo central por demandas estaduais — três presidenciáveis estiveram em Brasília para debater o assunto e, claro, usar o evento como palanque. Até hoje, mais cinco devem comparecer. Propostas de soluções ambientais, econômicas e projetos de combate à corrupção foram respondidas em tom eleitoral.

Marina Silva (Rede), Alvaro Dias (Podemos) e Ciro Gomes (PDT) discursaram aos prefeitos. Manuela D’Ávila foi convidada e confirmou presença, mas não compareceu. Ao saber da desistência de Temer na corrida pelo Planalto, Marina disse que “não dá para acreditar que quem criou os problemas de hoje poderá resolvê-los”, comentando sobre a candidatura de Henrique Meirelles (MDB).

Questionada sobre a saída de Temer da disputa eleitoral, Marina optou pela ironia. “Três por cento de popularidade, dentro da margem de erro, é possível que seja zero”, afirmou. Ela acredita que o fim da polarização entre esquerda e direita é uma saída para melhorar o cenário, e voltou a criticar a reforma política, que, em suas palavras, “foi encomendada”. A ex-ministra do Meio Ambiente também questiona os 10 segundos que terá para fazer campanha no horário eleitoral gratuito e compara seu orçamento de campanha com o dos grandes partidos, que deve ultrapassar
R$ 500 milhões.

O senador Alvaro Dias disse que os políticos têm de pedir desculpas à população pela desigualdade e pelo subdesenvolvimento do país. “O sistema é corrupto. Este sistema fracassou. Temos que pedir perdão ao povo brasileiro. Nós não fomos competentes para explorar de forma capaz as potencialidades deste país. Temos que pedir perdão ao Brasil pelo estágio de subdesenvolvimento em que nos encontramos”, afirmou o candidato à Presidência da República.

Em discurso duro, Ciro acusou o Ministério Público e o Poder Judiciário de ultrapassarem as suas atribuições democráticas e quererem governar o país no lugar de todo mundo. “Hoje, (com o) Congresso Nacional desmoralizado, o poder federal desmoralizado e a autoridade política desmoralizada, há uma invasão absolutamente intolerável, que tem de ser posta fim a ela, de atribuições democráticas por poderes que não são votados”, afirmou, dirigindo-se ao MP.

Não foram apenas os presidenciáveis que tentaram deixar boa impressão aos prefeitos. Pela manhã, o presidente Michel Temer participou da abertura e emplacou logo de cara a assinatura de um decreto que possibilitará as Unidades de Pronto Atendimento (Upas) atenderem como Unidades Básicas de Saúde (UBS). Temer anunciou ainda que R$ 600 milhões seriam pagos aos municípios para investimento em educação. O recurso faz parte dos R$ 2 bilhões aprovados este ano para atender a uma demanda firmada com as prefeituras em 2017.

O governo não quer ficar para trás dos concorrentes. A agenda positiva com as prefeituras foi tratada horas antes do anúncio de Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda, como candidato do MDB. Tanto que Temer sinalizou discutir o reajuste dos valores de licitação, que permitirá os municípios resolverem questões burocráticas e realizarem compras em valores mais altos.

 

Com informação do Correio Braziliense

Isolada na pré-campanha e com apenas 12 segundos para fazer campanha na TV neste ano, a ex-senadora e pré-candidata à Presidência da República, Marina Silva (Rede-AC), disse nessa terça-feira a prefeitos, em Brasília, que a campanha eleitoral deste ano será a mais difícil que já enfrentou.

Marina participou da 21ª Marcha a Brasília, realizada pela Confederação Nacional de Municípios. Após o evento, a pré-candidata foi questionada sobre o seu isolamento. Até agora, Marina não firmou aliança com outros partidos e sua legenda tem uma bancada de apenas dois deputados. Marina disse que trabalha com o “apoio da sociedade civil”.

“Hoje eu estou numa situação bem melhor do que em 2010. Em 2010, na primeira pesquisa, tinha 1,5%, nem se compara. Já na estrutura, isso é um problema da reforma política. Foi uma reforma de encomenda”. Marina disse que, se for eleita, não terá problema com a governabilidade, pois governará “com os melhores” e terá uma “maioria programática”.

“Já fiz aliança com o ‘Brasil 21’, com o ‘Agora!’, com o ‘Acredito’. E a gente sabe que as coisas estão acontecendo. Com trabalhadores, com mulheres, com jovens, com idosos, com a sociedade brasileira”. Durante seu discurso, Marina disse que era preciso fazer um esforço para “refundar a República” e que não participará da “política do toma lá, dá cá”. Marina também propôs um mandato de cinco anos para o Executivo e fim da reeleição.

Com informações do Jornal O Globo

A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, começar a discutir nesta quarta-feira, 23, em reunião com governadores do partido, o provável nome para compor a chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O PT considera necessário que Lula, preso desde 7 de abril, tenha um vice que possa rodar o País falando em nome do petista. A proposta seria uma forma de sepultar as especulações de que chefes dos Executivos estaduais defendem uma adesão à candidatura de Ciro Gomes (PDT).

Lula cumpre pena de 12 anos e um mês de prisão na sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. O ex-presidente foi condenado em segunda instância, no caso do tríplex do Guarujá, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o que, de acordo com a Lei da Ficha Limpa, o impede de ser candidato.

Gleisi convocou a reunião depois que o governador do Ceará, Camilo Santana, declarou publicamente que o melhor caminho seria apoiar Ciro na eleição de outubro. O partido tem cinco governadores (Acre, Bahia, Ceará, Minas Gerais e Piauí), mas nem todos devem participar do encontro de hoje. Caso a proposta seja aceita, caberia a Lula escolher o seu vice. Os cotados para o posto são o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e o ex-ministro Celso Amorim. “Os governadores tem interesse nesse debate”, afirma o governador do Acre, Tião Viana.

Neste momento, a escolha do vice não estaria atrelada necessariamente à substituição de Lula na urna. Favorito neste momento para substituir Lula na cabeça de chapa se a Justiça Eleitoral confirmar a impugnação do petista, Haddad já está rondando o País. Na sexta-feira, esteve no Acre. Nesta semana irá ao Recife, onde se encontrará com governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), e à Paraíba, para falar com Ricardo Coutinho (PSB). Também está prevista uma visita ao governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).

O objetivo oficial das conversas é buscar programas implantados nesses estados que possam ser replicados a nível nacional. Mas Haddad, que é coordenador do programa de governo de Lula, também tem sido um dos encarregados pelo ex-presidente para manter o diálogo com políticos de partidos que possam se tornar aliados. O PT ainda tenta viabilizar uma aliança com o PSB.

No próximo domingo, o partido deverá fazer atos em todas as cidades do País onde possui representação para reafirmar a candidatura de Lula. O plano é apresentar o registro no dia 15 de agosto e permitir que ele apareça como candidato no horário eleitoral, mesmo que continue preso. A expectativa é que a Justiça Eleitoral demore pelo menos um mês para decidir a impugnação.

Com informações do Jornal O Globo

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